Projetos Interessantes

Projeto LIFE Criado Para Proteger Ilhas-barreira da Ria Formosa

O projeto LIFE Ilhas-barreira iniciou-se em setembro de 2019, com um orçamento de 2 milhões de euros, e prolongar-se-á até ao fim do ano de 2023.

A Ria Formosa começou com estatuto de Reserva Natural, instituído em 1978. É um local classificado como sítio Ramsar, uma zona húmida classificada como local de importância ecológica internacional ao abrigo da Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional.

A área das ilhas da Ria Formosa é classificada como protegida pelo estatuto de Parque Natural, datado de 1987, e é parte integrante da Rede Natura 2000. No que respeita à Diretiva Aves, é considerada como zona de proteção especial e, no que respeita à Diretiva Habitats, pela sua importância comunitária.

Alterações climáticas como alerta
Pela vulnerabilidade proveniente das alterações climáticas, as zonas urbanas encontram-se sujeitas a alguns impactos como o aumento da temperatura, a subida do nível médio do mar, a precipitação excessiva, ocorrência de inundações, deslizamento de terras, diminuição da qualidade do ar, escassez de água, problemas ao nível do abastecimento, ocorrência de incêndios florestais, entre outros.

O novo projeto LIFE surge pela comemoração do Dia Internacional das Zonas Húmidas, celebrado a 2 de fevereiro, na Universidade do Algarve, com objetivo de intervenção direta na Ria Formosa. O projeto tem como ponto de partida a avaliação de como as alterações climáticas poderão afetar as Ilhas-barreira, bem como, as estratégias de conservação da Ria Formosa, da qual tanto pessoas como espécies dependem.

O ecossistema da Ria Formosa
Constitui-se por cinco ilhas – Barreta ou Deserta, Culatra, Armona, Tavira e Cabanas – e, duas penínsulas – Ancão e Cacela que, pela sua constituição, formam uma barreira entre o mar e a Ria Formosa, dando assim origem ao nome Ilhas-barreira.

A Ria Formosa é um ecossistema especial, tornando-se um importante refúgio para algumas aves marinhas. No caso da ilha Deserta, é o único local do país onde nidifica a gaivota-de-audouin, ave marinha classificada como vulnerável à extinção, que ali se reproduz desde 2008.

Ainda na ilha Deserta, a única não habitada, encontra-se o principal núcleo reprodutor de chilreta ou andorinha-do-mar-anã. Para apoio na monitorização, o projeto contará com os investigadores da Universidade de Coimbra, que já acompanham há vários anos as aves marinhas da região.

Para além da sua especificidade, as ilhas da Ria Formosa atraem turistas e chilretas. São fonte de rendimento de pescadores e fonte de alimento de gaivotas.

Objetivos do projeto LIFE Ilhas-barreira
– Estudar o estado das populações das espécies que dependem da Ria Formosa;
– Estudar a dinâmica entre as gaivotas e as dunas, como a presença de gaivotas-de-patas-amarelas, especialmente na Ilha da Barreta, e estudar os seus efeitos sobre a pressão causada sobre a vegetação nativa e alguma erosão das dunas;
– Avaliar as medidas de conservação das chamadas “dunas cinzentas”. As plantas invasoras, muito presentes nas ilhas, vão ser analisadas. Na ilha Deserta vão ser removidas as espécies como o chorão e as acácias;
– Promover o uso sustentável das ilhas com limitação do acesso aos locais de reprodução das espécies e programas de sensibilização sobre o uso dos recursos das ilhas;
– Envolver a comunidade, como as escolas dos cinco municípios, em várias atividades de sensibilização ambiental;
– Avaliar estratégias de intervenção nas atividades de pesca, evitando o aprisionamento acidental de aves. A pardela-balear é uma das aves que depende das águas marinhas nacionais e mais ameaçada pelas artes de pesca, sendo considerada a mais ameaçada da europa, classificada como Criticamente em Perigo;
– Criar estratégias para prevenção das mortes das aves pelos mamíferos não nativos das ilhas, como é o caso dos gatos e ratos que, para além de comerem as aves, comem os seus ovos;
– Capacitar a sociedade civil para a salvaguarda e proteção dos valores naturais na Ria Formosa.

Envolvimento de entidades públicas e privadas em prol da Ria Formosa
A coordenadora do projeto e do Departamento de Conservação Marinha da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Joana Andrade, irá trabalhar em conjunto com o RIAS/AldeiaAnimarisInstituto de Conservação da Natureza e Florestas e, Universidades do Algarve e de Coimbra.

Joana Andrade refere que, devido aos contornos dos extensos corpos dunares que estão em constante redefinição pelos agentes naturais de dinâmica costeira, é necessário avaliar o impacto das alterações climáticas e dar suporte à população e às espécies. Para tal, é necessário monitorizar as atividades, capacitar a comunidade e criar ou reforçar estratégias de prevenção e de preservação das Ilhas-barreira na Ria Formosa.

Sem as ilhas que formam a barreira que abrange uma área de cerca de 18.400 hectares ao longo de 60 km, ao longo da Ria Formosa, não será possível conservar um dos mais belos parques do Algarve, com grande função e essencial para o habitat de várias espécies.

Culatra 2030-Comunidade Energética Sustentável

Logo Culatra 2030

A iniciativa “Culatra 2030 – Comunidade Energética Sustentável” pretende criar uma comunidade piloto em energias renováveis na Ilha da Culatra, Ria Formosa, Algarve.

O objetivo principal desta iniciativa é o de posicionar a região do Algarve como centro de excelência em investigação e formação em energias renováveis, com vista à descarbonização da sua economia através da criação de pontes efetivas entre a comunidade local, a investigação no sector renovável e as empresas da região.

Como objetivos indiretos destacam-se a promoção da sustentabilidade ambiental, a adaptação da ilha às alterações climáticas e a contribuição para o aparecimento de projetos dinamizadores da economia circular

A Ilha da Culatra situa-se a sul das cidades de Faro e Olhão, na província do Algarve, inserindo-se numa zona lagunar que confronta a norte com a Ria Formosa e a sul com o Oceano Atlântico. Com aproximadamente 6 quilómetros de comprimento e 1,2 quilómetros de largura na sua extensão maior, é a mais distante das ilhas, excluindo a Ilha da Barreta (sem ocupação humana), sendo o acesso assegurado por barcos, que partem de Olhão e, na época balnear, também da cidade Faro.

A ilha da Culatra é constituída por três núcleos habitacionais: a Culatra, os Hangares e o Farol. Em termos de administração territorial está integrada no concelho de Faro, freguesia da Sé.

  • O núcleo do Farol, com pouco mais de uma dezena de habitantes, caracteriza-se por ocupação sazonal, pelo que a maioria das edificações presentes é ocupada apenas na época balnear. O aglomerado urbano integra restaurantes, cafés, posto médico e supermercado.
  • O núcleo de Hangares é constituído por construções de habitação precária de génese ilegal, originalmente de apoio à atividade piscatória, sendo inexistentes os aprestos para esta atividade.
  • O núcleo da Culatra é o maior aglomerado da Ilha, com cerca de 1000 habitantes, integrando uma igreja, e uma escola, um centro social, um centro de saúde, um heliporto e porto de pesca; manifestando, portanto, sinais de uma vivência própria e consolidada. A população deste núcleo está maioritariamente ligada à atividade piscatória artesanal e ao marisqueiro.

A vida na Ilha da Culatra melhorou significativamente nas duas últimas décadas com a introdução da rede elétrica pública e privada, bem como com o sistema de saneamento básico. No entanto, é essencial criar condições para que os seus moradores possam não só continuar nas suas atividades económicas tradicionais, preservando a sua identidade e valores culturais, como também procurar novas atividades económicas compatíveis com a utilização racional dos recursos naturais.

A ilha da Culatra é o local ideal para testar um novo modelo económico que funcione em circuito fechado, minimizando consumos de materiais e perdas de energia. Uma verdadeira “Economia Circular” que permita a sustentabilidade ambiental da ilha e a iminente necessidade de adaptação às alterações climáticas. A ideia do projeto piloto aqui proposta é a de criar uma estrutura física na Ilha, de raiz, ou aproveitando uma estrutura existente, que permita agregar diferentes conceitos de energias renováveis, adaptáveis às atividades económicas da sua população, ou seja, transformar a ilha da Culatra numa comunidade energética sustentável, de acordo com o conceito “renewable energy community”.

As edificações de uma “renewable energy community” deverão ser energeticamente eficientes e ter consumos mínimos de energia (near-zero or zero-energy homes, ZEHs). A comunidade deverá produzir energia por fontes exclusivamente renováveis, privilegiar a mobilidade elétrica ou biocombustíveis e possuir hábitos e práticas de vida sustentáveis. Esta forma integrada de abordagem, de pensar e de agir coletivamente, partindo do todo para as partes, de interligação entre a componente habitacional e de mobilidade, pretende gerar soluções economicamente melhores do que as da perspetiva individual.

Acredita-se que estas comunidades energéticas podem desempenhar um papel relevante na geração de eletricidade de forma descentralizada. Um sistema descentralizado de produção de eletricidade que apenas pretende dar resposta ao consumo para o qual foi dimensionado. Um sistema descentralizado de geração de eletricidade deverá ser estruturado de forma que possa ter um grau de autonomia relativamente ao sistema centralizado, apesar de manter a sua ligação a este último.

A iniciativa “Culatra 2030” desenvolver-se-á de forma faseada e contemplará as seguintes ações:

  • Fornecimento energético regular com recurso a uma estação piloto de energia renovável;
  • Instalar uma estação de armazenamento energético;
  • Criar um conceito de micro-rede local que permita o uso inteligente da energia através da identificação das horas de pico e gestão eficiente dos recursos energéticos disponíveis;
  • Instalar uma estação piloto de recarga de barcos elétricos para transporte de passageiros. Promover a utilização de barcos solares nas atividades económicas dos moradores;
  • Desenvolver e aplicar novos conceitos de eficiência energética que permitam modernizar a habitação na ilha, integrando novos conceitos de bio- arquitetura, telhas fotovoltaicas, com climatização inteligente e adaptados às alterações climáticas;
  • Instalar uma estação piloto para o teste de fontes energéticas emergentes tais como as energias marinhas, biocombustíveis com recurso a algas, biogás e de produção de biomassa a partir de resíduos existentes na ilha;
  • Dinamizar a I&DT em dessalinização de água;
  • Instalar uma estação piloto de transformação dos resíduos produzidos na Ilha em energia;
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